A incrível missão dos Recrutas a cada dia ganha mais uma pitada de entusiasmo ..foi o que aconteceu dia desses, quando em um dos nosso encontros, nossa companheira e colega Bruna palestrou sobre a dor e o envolvimento do médico nesse processo.
Fisiologicamente a a dor é protetora: "um sistema instalado para alertar o corpo de que algo não vai bem. Quando o tecido sara, a dor some. Entretanto, quando ela persiste muito tempo depois de cumprida a sua função, se transforma na patologia da dor crônica - uma dor que só piora com o tempo. A sensação do corpo como fonte de prazer muda para a sensação do corpo como fonte de dor. A pessoa se sente perseguida. A dor crônica é um fantasma do nosso tempo: uma doença grave, mal-entendida e mal diagnosticada."
A Bruna conduziu um bate papo super entusiástico e descontraído que me fez lembrar um dos primeiro dias de aula quando o professor perguntou a vários de nós porque escolhemos a carreira médica....várias respostas vieram e foi uma oportunidade para verbalizarmos nossas motivações. Frente a isso, surge a questão: por que as pessoas procuram médicos?! E outra avalanche de respostas que se complementavam.
Cada dia, tenho entendido que tanto o porque escolhemos fazer medicina como o porque as pessoas procuram médicos constroem a motivação de vários personagens atuantes nas unidades básicas de saúde, hospitais, pronto socorros e consultórios médicos.
Tomando como ilustração o livro Crônicas da Dor, de Melanie Thernstrom, iniciou-se uma belíssima discussão sobre as percepções da dor, sua natureza e a relação médico paciente e suas peculiaridades na busca pelo antídoto: a cura.
De forma geniosa, a Bruna conseguiu trabalhar desde o sentido fisiológico até o psicológico e isso foi realmente enriquecedor.Seguindo o livro e tomando nossas experiências como ponto de partida, iniciou-se a discussão que foi enriquecida com belos casos clínicos trazidos pela Bruna.
Em concordância com a ilustração trazida pelo livro e depois de um tanto de questões conseguimos enxergar como "a dor acompanha a história da humanidade, sendo uma marca do que significa ser humano." E é consenso que "todo mundo já sentiu algum tipo de dor, mas nenhum de nós sabe quando chegará ou por quanto tempo nos acompanhará."
Foi mais um belo encontro dos Recrutas da Alegria e pra finalizar fica ae um trecho de Rubem Alves em O médico :
"Pensar é estar doente dos olhos', disse Alberto Caeiro. Pode ser que você ainda não tenha se dado conta disso, mas o fato é que todas as coisas belas do mundo são filhas da doença. O homem cria a beleza como remédio para a sua doença, como bálsamo para o seu medo de morrer. Pessoas que gozam saúde perfeita não criam nada. Se dependesse delas, o mundo seria uma mesmice chata. Por que haveriam de criar? A criação é fruto de sofrimento."


