16 de janeiro de 2014

Palhaçeando

Primeiramente, desculpa invadir o blog do Recrutas. A vida segue, mas hoje fiquei com os olhos mareados misto de alegria e tristeza. Sim, foi por vocês estarem subindo as escadas para uma oficina do Recrutas e eu e o Arthur virando as costas em direção a porta, seguindo os nossos caminhos.
Foi aquele soluço sem lágrimas, ao ver a Maria Emília carregando uma bola e a Marina subindo correndo as escadas porque ficou conversando um pouco a mais comigo. Senti um pedaço de mim subindo com vocês. Mas o tempo muda, as coisas correm e sei que estão fazendo um bom trabalho.
Sim, vocês devem imaginar o Recrutas é como um filho, e vocês agora estão caminhando sozinhos com seus narizes vermelhos. De repente não serei mais eu tocando violão e correndo pela enfermaria pediátrica. Mas de certa maneira eu continuarei com vocês como a Dra. Sonina.
Esse texto não é para ter o tom tão melancólico ele é a independência a criatividade e a superação de vocês que vimos entrando tímidos (ou nem tanto) no primeiro ano. Vimos palhaços e futuros médicos nascerem, vimos amizades crescerem, vibramos juntos com cada conquista desde camisetas até cursos e congressos. Não lembro de todos os nomes mas foram muitos batizados: Dr.Tuito, Dra. Fumbica, Dra. Zuleide Gaga (que eu ajudei a dar o nome), Dra. Flor, Dr. Ferrugem, Dr. Mimimusica, Dra. Careta, Dra. Popstar, Dra. Futrica, Dra. Amora, Dra. Geleia, Dr. Curintia, Dra. Coronélia, Dra. Mimosa... Fizemos muitas extrações de miolo mole, cirurgias de alta complexidade para retirada de mau humor e prescrevemos bolhas de sabão – afinal a enfermaria só é triste se quiser.
Quando começamos não tínhamos narizes, a maquiagem era completamente improvisada, éramos alguns sonhadores que sabiam muito pouco mas queriam ajudar. Com o tempo conseguimos lápis de maquiagem, doações, aprendemos a fazer balões, alguns aprenderam malabarismos, fomos juntando nossos talentos de tocar, dançar, brincar e amar. Não sabíamos nos maquiar, a minha maquiagem era gigantesca e colorida, mas com o tempo foi melhorando (espero). Foram muitas horas na enfermaria rolando pelo chão, jogando futebol invisível ou correndo. Ganhamos jalecos personalizados, espaço e até um armário! Realizamos também o sonho de muitos que era assistir o Patch Adams ao vivo. Compramos narizes profissionais, fizemos cursos e logo já estávamos virando palestrantes. E conseguimos o principal: sorrisos, abraços e felicidade. Conseguimos a grande honra de sermos palhaços no meio da mecanicidade da universidade.
Vocês são fantásticos por quererem ser palhaços, por assumirem a coordenação e cuidar com tanto carinho do Recrutas. E eu acho que estou virando uma palhaça velha (na verdade, espero que não). Se fosse uma atividade do Recrutas já teria borrado a maquiagem.
E nós, tenho certeza que não erro em falar por mim, pelo Arthur e pela Bruna, estaremos aqui para o que precisar, desde um sério transplante nariz vermelho até um divertido congresso.
Ah, e qualquer emergência: meu nariz de palhaça está sempre comigo.

Um abraço carinhoso,

Dra. Sonina (Mayara Floss).
(27/05/2013)